1 de março de 2016

“Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea”


Sociólogos e historiadores consideram o século XXI como aquele em que as cidades retomaram para si uma relevância política que se assemelha à que tinham antes da formação do Estado moderno. A chamada emergência da cidade está associada ao fenômeno da glocalização – o fato de que o poder do Estado-Nação, juntamente com suas noções de fronteira, território e cultura nacional, está sendo posto duplamente em cheque. Nas grandes questões políticas contemporâneas como direitos das minorias, migrações, superação da pobreza, diversidade cultural e desenvolvimento sustentável, há uma colaboração entre o local e o internacional na revisão e transformação das noções tradicionais da política associadas à soberania estatal. Esta é uma das perspectivas pela qual podemos entender o contexto contemporâneo e, portanto, esse espaço-tempo em que se desenvolve a literatura brasileira das últimas décadas.

Se perdemos em prazer estético ao reduzir um texto literário a uma interpretação sociológica; também reduzimos nossa percepção e capacidade crítica ao desconsiderar o panorama sociocultural em que uma obra está inserida. Ainda mais quando estamos tratando do nosso tempo. “Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea” – segundo livro da série Limiar, com realização da Luminara Editorial e organização do Prof. Dr. Ricardo Barberena (PUCRS) e da Prof. Dra. Regina Dalcastagnè (UnB) – reúne artigos que têm como grande trunfo dar conta do nosso tempo, com um olhar engajado neste duplo valor da literatura. Neles, a riqueza das análises sobre as particularidades da forma literária convive com o interesse crítico pela realidade sociocultural em diálogo com as obras.

A seleção dos artigos feita por Barberena e Dalcastagnè possui uma coesão que, não obstante as particularidades de cada autor, é dada pela conversa entre o literário e o social, em sua problematização do espaço urbano. Além dos artigos assinados pelos organizadores, o livro é composto por dez textos de pesquisadores nacionais e internacionais, são eles: Luciene Azevedo (UFBA), Sophia Beal (Universidade de Minnesota), Milton Colonetti (PUCRS), Luciana Paiva Coronel (FURG), Ângela Maria Dias (UFF), Alexandre Faria (UFJF), Friedrich Frosch (Universidade de Viena), Jeremy Lehnen (Universidade do Novo México), Lucía Tennina (Universidade de Buenos Aires), Lúcia Osana Zolin (UEM). O corpus das análises é a literatura brasileira contemporânea, mas o seu escopo tem a natureza glocal do século XXI, dando mostras de que as cidades são mais que cenário de narrativas, canções, poemas e vidas – são entidades políticas, sociais e culturais em constante redesenho, devido ao trânsito e ao discurso dos sujeitos.

Os assuntos são diversos: literatura marginal, autobiografia e migração, crise da masculinidade, autoria feminina, escrita do cárcere, representatividade das vozes de mulheres na periferia, o espaço urbano de Brasília, o deslocamento como estratégia narrativa e reflexo da instabilidade do sujeito, os atores políticos em jogo na definição do sistema literário. A essa diversidade temática corresponde, porém, uma mesma preocupação estética e crítica com a potência do texto literário para a representação e a constituição das geografias sociais.

Como escreve o professor Barberena, “refletir sobre os traumas de hoje é pensar sobre os traumas do transitar”. Assim sendo, problematizar o espaço urbano na literatura contemporânea é questionar a própria noção de espaço – do local ao global, passando pelo nacional – e, portanto de fronteiras, limites, possibilidades e cerceamentos da mobilidade e do trânsito. De que modo os recursos estéticos da forma literária dão vazão a esses fenômenos do contemporâneo? De que maneiras a literatura contemporânea se transforma pari passu com as transformações do mundo, num jogo de retroalimentação? Não há resposta para isso que não seja um devir: cada um dos artigos deste livro é como uma caminhada pelo espaço (urbano) da literatura brasileira contemporânea – e este, não custa lembrar, só vai se construindo à medida que caminhamos.

Resenha por Giulia Barão

25 de fevereiro de 2016

O eco de Umberto em nosso amor pelo livro





No início de 2015, cursei duas disciplinas na Universidade de Granada (Espanha) que discutiam os rumos da literatura na contemporaneidade. Numa delas, veio à tona a discussão sobre a tão anunciada morte do livro e da literatura como os concebemos tradicionalmente. Recordo que a professora nos provocava perguntando para que servem os livros num mundo cada vez mais preguiçoso para textos que superem os 140 caracteres e onde uma imagem parece realmente valer mais que mil palavras. A turma estava dividida: havia os entusiastas do e-book, comemorando a economia de papel tanto pelo fator ecológico, quanto pela possibilidade de se locomover levando consigo a biblioteca num aparelho de 20 centímetros. Mas havia também os bibliófilos, grupo em que me incluo, cujos argumentos se baseavam fundamentalmente na materialidade do livro, na simplicidade desse objeto que podemos tocar, cheirar, sublinhar, emprestar, dar de presente, expor em cabeceiras, mesas de centro, estantes multicoloridas. 


Lembrei dessa discussão, porque a morte de Umberto Eco (Alexandria, Itália, 1932), na última sexta-feira, dia 19 de fevereiro, deixa o time dos bibliófilos desfalcado. Milhares de pessoas expressaram – por escrito – seu lamento pela morte do escritor, filósofo, linguista, erudito, apaixonado pelos fenômenos e obras da nossa estranha forma de vida. Diversas de suas ideias circularam nas redes, dentre elas sua confiança na permanência do livro como entidade cultural insubstituível. De certa maneira, essas manifestações serviram como indício de que internet e livros, e-books e livros, blogs e livros não são elementos concorrentes, mas complementares. Num mundo onde pululam fontes de informação e conhecimento, o livro persiste como o refúgio silencioso, como o recurso material que preserva nosso poder imaginativo frente às forças virtualizantes da vida contemporânea. 

Em “Não Contem Com o Fim do Livro” , lançado pela Record em 2004, encontramos diversos argumentos de Umberto Eco, juntamente com Jean-Claude Carrière, sobre a sobrevivência das publicações em papel, entre os quais a ideia de que “O livro é como a colher, o martelo, a roda ou a tesoura. Uma vez inventados, não podem ser aprimorados.” Nessa singela comparação está contida uma verdade  histórica – o livro é o que é por sua utilidade, por sua adequação material às funções que deve exercer, pelo conforto que sua forma garante a nossos corpos. Há no livro um prazer estético, sinestésico – do contato entre sujeito e objeto – que a internet não substitui. 

Querem mais evidências? 1.Um estudo publicado pela American University, de Washington constatou que 92% dos jovens entrevistados ainda preferem o livro em papel. 2. Nas últimas décadas, multiplicaram-se as editoras independentes na América Latina, assim como os escritores que publicam por conta própria. 3. Feiras gráficas, com publicações alternativas, como zines e livros costurados são cada vez mais populares entre jovens que circulam pelas áreas de Letras, Design, Artes Visuais. 4. Nós da Luminara, que somos uma editora pequena, recebemos muitos originais que não damos conta de publicar. Multipliquem isso por todas as editoras, pequenas, médias e grandes: é um mar de livros em potencial.

Das homenagens que podemos fazer a Umberto Eco, talvez a maior delas seja, enfim, seguir lendo livros – ou como nós da Luminara, publicando-os! - ecoando em nossas vidas o amor e o entusiasmo deste intelectual pelo esforço da nossa espécie em criar e compreender a si mesma. No que depender de nós, não contem com o fim do livro. :)



Boas leituras!
Abraços

Giulia Barão

19 de janeiro de 2016

Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea: lançamento do novo volume da Série Limiar



Nossa casa editorial está celebrando! O novo livro da Luminara Editorial é o segundo volume da Série Limiar, coordenada pelo Prof. Ricardo Barberena.

"Do trauma à trama: o espaço urbano na literatura brasileira contemporânea" tem organização de Profa. Dra. Regina Dalcastagnè e Prof. Dr. Ricardo Barberena. O livro será lançado na Universidade de Santiago de Compostela, na próxima semana, entre 25 e 27 de janeiro, por ocasião do  "VI colóquio internacional sobre literatura brasileira contemporânea: o local, o nacional, o internacional".

Acesse o link para o evento, com detalhes e sua programação!


Acompanhe as novidades!

Abraços,

Luminara Editorial

12 de janeiro de 2015

Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea- Série Limiar da Luminara Editorial


Boa noite!

A Luminara Editorial tem a honra de partilhar com os leitores seu próximo lançamento! O livro "Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea", é organizado pelo Prof.Dr. Ricardo Araújo Barberena e pelo Prof. Dr.Vinícius Carneiro, e inaugura a Série Limiar da Luminara, coordenada pelo Prof. Barberena. A referida Série destina-se à publicação de obras acadêmicas no campo da Literatura Contemporânea, em âmbitos nacional e internacional. 

O lançamento ocorrerá na próxima quarta-feira, dia 14 de Janeiro de 2015, às 17:00, em evento na Embaixada do Brasil na França, por ocasião do IV colóquio internacional sobre literatura brasileira contemporânea: práticas do espaço



Programação

Paris

Quarta-feira, 14 de janeiro – Ambassade du Brésil em France
34, cours Albert 1er 75008 Paris

  
17h:  Lançamento de livros
Espaço e gênero na literatura brasileira contemporânea, Espaços possíveis na literatura brasileira contemporânea e Das luzes às soleiras: perspectivas críticas na literatura brasileira contemporânea.

Com a presença do Sr. Alex Giacomelli da Silva, Ministro Conselheiro da Embaixada do Brasil na França.

Debate com os organizadores.

Reserva obrigatória pelo e-mail: leotonusbr@hotmail.com
  

Quinta-feira, 15 de janeiro – Université Paris-Sorbonne
Amphithéâtre  Michelet – 46, rue Saint-Jacques – 75005 – Paris



ABERTURA DO COLÓQUIO – 9h00
Recepção dos participantes
Abertura do Colóquio por Nancy Berthier, diretora da UFR Etudes Ibériques et Latino-américaines e do grupo de pesquisa CRIMIC (Université Paris-Sorbonne)

MESA 1 – 9h30 às 10h30
Mergulho nas emergências: margem de dentro e margem de fora na literatura brasileira
Alexandre Faria (Universidade Federal de Juiz de Fora)

A conquista de capitais no espaço transnacional: o caso da literatura brasileira contemporânea no Salão do Livro de Paris
M. Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela)

Moderação: José Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

INTERVALO

MESA 2 – 11h às 12h
Literatura marginal/periférica: páginas, versos e vozes de um movimento
Michel Yakini (coletivo “Elo da Corrente”)

Qual o espaço da periferia na literatura brasileira contemporânea?
Paula Anacaona (editora Anacaona)

Moderação: Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)

ALMOÇO

MESA 3 – 14h às 15h
O espaço do euna literatura contemporânea: narcisismo e globalização
Luciana Hidalgo (Université Paris-Sorbonne)

A prisão como espaço fundador em Memórias de um sobrevivente
Luciana Paiva Coronel (Universidade Federal do Rio Grande do Sul/Capes)

Moderação: Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília)

MESA 4 – 15h às 16h
Meios (públicos) sem fim: passagens e passageiros nas radiografias do espaço urbano
Roberto Vecchi (Università di Bologna)

O lugar das coisas, ou de como os objetos compõem o espaço narrativo
Regina Dalcastagnè (Universidade de Brasília)

Moderação: Maria-Benedita Basto (Université Paris-Sorbonne)


INTERVALO

MESA 5 – 16h30 às 17h30
A cidade como espaço cênico: a ressignificação do espaço entre realidade e teatralidade
Rita Maubert (Université Paris-Sorbonne/ Université Paris-Ouest)

O olhar e a cena: o espaço urbano como construção poética do sujeito
Susanna Busato (Universidade Estadual Paulista/ São José do Rio Preto)

Moderação: Ricardo Araújo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)



Sexta-feira, 16 de janeiro – Université Paris-Sorbonne
Amphithéâtre Quinet  – 46, rue Saint-Jacques – 75005 – Paris

MESA 7 – 9h às 10h30
Hanói, de Adriana Lisboa, e As miniaturas, de Andrea del Fuego: uma leitura comparativa de duas escritoras brasileiras contemporâneas
Raquel Ribeiro (University of Edinburgh)

Personagens em trânsito: espaços de resistência em Mar azul, de Paloma Vidal
Joyce Luciane Correia Muzi (Universidade Estadual de Maringá/Instituto Federal do Paraná)

Zonas de desastre: a narrativa de Sem importância coletiva, de Daniela Lima
Paulo C. Thomaz (Universidade de Brasília)

Moderação: Claire Williams (St. Peter’s College, University of Oxford)

INTERVALO

MESA 8 – 11h às 12h
Estratégias narrativas e táticas do cotidiano em Estive em Lisboa e lembrei de você

Sara Brandellero (Universiteit Leiden)

A negociação do espaço e da identidade no romance Samba sem mim, de Caio Yurgel
Camila Gonzatto (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: M. Carmen Villarino Pardo (Universidad de Santiago de Compostela)

ALMOÇO

MESA 9 – 14h às 15h

O teatro da identidade e a cena urbana na obra de Ricardo Lísias
Ângela Maria Dias (Universidade Federal Fluminense)

Um país de 55 metros quadrados: o sentimento de avulsão em Terra avulsa, de Altair Martins  
Ricardo Araújo Barberena (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: Lúcia Osana Zolin (Universidade Estadual de Maringá)


REUNIÃO DE TRABALHO – 15h às 17h
Publicação dos textos do Colóquio; projetos de pesquisa; cooperação entre as instituições universitárias do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos sobre estudos literários; outras publicações; encontros internacionais; intercâmbios e cotutelas. Preparação do VIII Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea, em Brasília, e do V Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, em local a ser definido.

Oxford

Segunda-feira, 19 de janeiro – St. Peter’s College, University of Oxford

Dorfman Centre – St. Peter’s College – New Inn Hall Street – Oxford – OX1 2DL



ABERTURA DO COLÓQUIO – 8h30

Recepção dos participantes e abertura do Colóquio, com a presença dos organizadores.

MESA 1 – 9h às 9h50
Escrevendo-se na cidade: Exu e o Guia afetivo da periferia, de Marcus Vinicius Faustini
Vinícius de Carvalho (King’s College London)

O espaço urbano e subjetivo em O beijo na parede, de Jeferson Tenorio
Fernanda Borges (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul)

Moderação: Claire Williams (St. Peter’s College, Oxford)



MESA 2 – 9h50 às 10h40
A espacialidade do narrador na literatura brasileira contemporânea
José Leonardo Tonus (Université Paris-Sorbonne)

Poéticas da desigualdade social no romance brasileiro contemporâneo
Gabriel Estides Delgado (Universidade de Brasília)

Moderação: Phillip Rothwell (St. Peter’s College, Oxford)

INTERVALO

MESA 3 – 11h às 11h50
Cenas do retorno na narrativa brasileira contemporânea
Anderson Luís Nunes da Mata (Universidade de Brasília)

De confinamentos e deslocamentos: tensões espaciais em Dois rios, de Tatiana Salem Levy
Lúcia Osana Zolin (Universidade Estadual de Maringá)

Moderação: Gui Perdigão (St. Catherine’s College, Oxford)

ALMOÇO

MESA 4 – 14h às 15h20

Geografias afetivas, lugares identitários na literatura brasileira contemporânea
Sandra Regina Goulart Almeida (Universidade Federal de Minas Gerais)

Ser feminista no campo literário brasileiro: de personagens, teorias e palavras no “armário”
Virgínia Maria Vasconcelos Leal (Universidade de Brasília)

Um sentido para o fim: memórias e espaços transitórios em Hanói, de Adriana Lisboa
Júlia Braga Neves (King's College London/Humboldt Universitat zu Berlin)

Moderação: Cláudia Pazos Alonso (Wadham College, Oxford)

INTERVALO

MESA 5 – 15h40 às 16h30
Fora de lugar, fora do tempo: encontros incômodos em Habitante irreal, de Paulo Scott
Claire Williams (St. Peter’s College, University of Oxford)

“Escritas de ouvido” contemporâneas: por uma poética espaço-sonora
Marília Librandi-Rocha (Stanford University) e Sérgio Bairon (USP/Instituto Diversitas)

Moderação: Simão Valente (St. Catherine’s College, Oxford)

MESA 6 – 16h30 às 17h20

O não-espaço em Wesley Peres: narrativas líricas em deslocamento
Rosane Carneiro Ramos (King's College London/Capes)

Steampunk brasileiro: o espaço de ficção científica em Lição de anatomia do temível Dr. Louison, de Enéias Tavares
Georg Wink (University of Copenhagen)

Moderação: Raquel Ribeiro (University of Edinburgh)


Terça-feira, 20 de janeiro – St. Peter’s College, University of Oxford
Dorfman Centre – St. Peter’s College – New Inn Hall Street – Oxford – OX1 2DL

REUNIÃO DE TRABALHO – 9h às 12h
Publicação dos textos do Colóquio; projetos de pesquisa; cooperação entre as instituições universitárias do Brasil, da Europa e dos Estados Unidos sobre estudos literários; outras publicações; encontros internacionais; intercâmbios e cotutelas. Preparação do VIII Simpósio Internacional de Literatura Brasileira Contemporânea, em Brasília, e do V Colóquio Internacional sobre Literatura Brasileira Contemporânea, em local a ser definido.

Nos próximos posts, mais notícias sobre o Colóquio, a Série Limiar e o livro em lançamento.
Acompanhe o nosso blog!
Obrigada pela visita!




29 de julho de 2014

Sobre o novo livro "Registros da História da Medicina", organizado pela Associação Gaúcha de História da Medicina

Em 2014, a Casa Editorial Luminara publicará a  EDIÇÃO DO LIVRO DE ANAIS DA III JORNADA GAÚCHA DE HISTÓRIA DA MEDICINA (2012), onde estarão publicados os temas livres de alunos e as palestras dos professores. O livro tem como título "Registros da História da Medicina" e  será lançado em 02 de outubro de 2014 durante a IV JORNADA GAÚCHA DE HISTÓRIA DA MEDICINA. As jornadas são bienais, e a cada nova JORNADA GAÚCHA DE  HISTÓRIA DA MEDICINA, é lançado o livro com os textos produzidos no evento anterior. Em 2013, em evento especial na Associação Gaúcha de História da Medicina, em 16 de setembro, foi lançado, também pela Casa Editorial Luminara, o livro 'Encontros com a História da Medicina', com textos da Jornada de 2010. O lançamento foi repetido, ainda em 2013, na Livraria Cultura de Porto Alegre, com grande sucesso. 

Como diretora da Casa Editorial Luminara, agradeço, honrada, à AGHM pela confiança no trabalho da Casa Editorial Luminara! Alem disto, agradeço, com muita alegria, o empenho e a dedicação admiráveis da Porto DG desde nossa primeira publicação,Evelyn Bisconsin , Aile Janice Baccin, Priscilla e Eduardo Seghesio, bem como à excelente Agencia Cigana, pelo trabalho em assessoria de imprensa. E um profundo agradecimento à Profa. Dra Maria Helena Martins, fundadora e presidente honorária do CELPCYRO, acreditando nos propósitos da Casa Editorial Luminara e apoiando, em parceria institucional, nossas atividades e publicações.

A Casa Editorial Luminara nasceu em 2008, como resultado de profundo amor pelos livros, pela Literatura e pela intersecção desta com a Medicina, dentro das chamadas Humanidades Médicas- também conhecidas, no exterior, como 'Medical Humanities' ou, ainda, compreendidas no horizonte da Medicina Narrativa ( "Narrative Medicine" ).

O que existe no cerne deste estudo da interface entre Humanidades e Medicina é, em linhas gerais, o Humanismo Médico, tão discutido pelo médico psicanalista e escritor Dr. Cyro Martins, em sua obra. Para conhecer mais sobre a riqueza de seu trabalho, visite o site do CELPCYRO, instituição que conta com o setor de Humanismo Médico, de que sou colaboradora, atuando junto à coordenadora do setor, Médica Psiquiatra Madeleine Scop Medeiros e à Prof.Dra. Maria Helena Martins, Presidente Honorária do CELPCYRO.

Neste contexto de valorização das Humanidades Médicas, é muito bem-vinda a proposta de publicação, por nossa Casa Editorial Luminara, do livro "Registros da História da Medicina" organizado pela Associação Gaúcha de História da Medicina, bem como foi também uma honra para nós a edição do livro "Encontros com a História da Medicina", em 2013. A História da Medicina é uma das áreas das referidas Humanidades Médicas, no Brasil e no exterior; assim, é muito importante que este campo exista como parte da formação médica e do corpo de conhecimentos humanísticos que devemos ter, como profissionais de saúde. Com o propósito de contribuir com esta difusão de temas no assunto, a Casa Editorial Luminara desenvolve, desde o início de suas atividades, uma linha de publicações que envolve a abordagem deste campo, como no livro 'Kate Chopin: contos traduzidos e comentados-Estudos Literários e Humanidades Médicas" e na obra ficcional da autora Elizabeth Brose, 'Memórias de um corpo eviscerado', através da inclusão de um ensaio do médico Prof.Dr. Ricardo Tapajós, nos comentários da obra. 

Conheça nossos livros! 

Abraço cordial,


Betina Mariante Cardoso
Diretora da Casa Editorial Luminara


27 de abril de 2014

Nova identidade visual, novas ideias!




Boa noite! 
Retomando as atividades no Blog, apresento a vocês a nova identidade visual da Casa Editorial Luminara, desenvolvida pela equipe da Porto DG, em Porto Alegre, RS, Brasil! Este é o inicio de uma nova 'fisionomia', mas tambem de uma transformação mais profunda, iniciada em setembro de 2013: o papel da Porto DG em nosso planejamento estratégico,  a fim de tornar os projetos de equipe cada vez mais dinamicos, sustentáveis e funcionais. Alem deste ponto, passamos a contar, desde aquele mesmo período,  com o excelente trabalho de Assessoria de Imprensa da Agência Cigana, empresa tambem de Porto Alegre. E estamos 'arrumando a casa', nossa sede, para que você venha nos visitar! Em breve, novidades...

Na Casa Editorial Luminara, meu propósito, como editora e coordenadora de projetos ( e trajetos) é o de pensar o livro em um ritmo parecido ao Slow Food, movimento iniciado na Italia na decada de 80 para fazer oposição  ao Fast Food. Um dos principais aspectos desta filosofia, no âmbito da alimentação e da qualidade de vida, é o tripé "Go Local, Go Green, Go Personal".  Trocando em miúdos,  a compreensão destes três pilares, no campo editorial, seria:  "utilize os recursos locais (serviços e fornecedores), pense em termos de sustentabilidade ecológica,  fortaleça as interações entre os autores, os elementos da equipe, os fornecedores, os livreiros e os leitores..". Na analogia com o 'Slow Food", o trabalho da Luminara é o "Slow Publishing", com o foco na desaceleração  dos processos de desenvolvimento do livro, processos estes que, em nossa 'Casa', são baseados na harmonia do  tripé descrito. E sim, há um elemento que prezo acima de todos: a valorização das relações humanas  e da importância de cada individuo na construção do livro e em sua distribuição, ate chegar às mãos do leitor. Como esta valorização se traduz no caminho da produção editorial? Esta é uma longa conversa...

Por hoje, fico por aqui. Há muito o que contar!

Bem-vindo aos novos ventos da Casa Editorial Luminara!

Um abraço,
Betina Mariante Cardoso


2 de outubro de 2013

"Da guerra ao porto alegre-Memórias de Simcha Brodacz"- lançamento da Casa Editorial Luminara



Foi lançado ontem, 01 de outubro de 2013, em Porto Alegre, o livro "Da guerra ao porto alegre-Memórias de Simcha Brodacz", escrito pelo médico psiquiatra Fábio Brodacz, filho do protagonista.

Resenha

Contar, escutar, traduzir. São estes os principais verbos que deram origem ao livro “Da guerra ao porto alegre- Memórias de Simcha Brodacz”, escrito pelo médico psiquiatra Fábio Brodacz. Simcha é sobrevivente do holocausto, Fábio é seu filho. Simcha contou para Fábio suas histórias de vida, da guerra ao seu porto, o porto alegre, onde criou raízes. Em Porto Alegre, fez casa, família, trabalho. Raízes. Fábio escutou Simcha em encontros combinados, imbuído do desejo de transformar esta escuta em relatos sobre o percurso de seu pai. E então, Fábio traduziu, em palavra escrita, dores, perdas, trajetos, superações, alegrias, encontros, resiliência. Fábio seguiu a linha de tempo de Simcha através de ferramenta tão presente em sua atividade como psiquiatra, a escuta: o resultado foi a tradução das vivências em textos que tramam memórias e licenças poéticas.
“Um filho ouviu a história de seu pai. Daí a achar a sua própria num livro fascinante foi um passo.”, registra o médico psiquiatra e escritor Celso Gutfreind, ao prefaciar a obra do colega e amigo.  Celso Gutfreind, além de prefaciar, também apresentou a obra na ocasião do lançamento, na Livraria Cultura do Bourbon Country, em Porto Alegre.
Ao receber os originais para avaliação, tocou-me refletir sobre seu conteúdo e sobre sua forma, mas algo transbordou para além destes pontos: a força do processo de criação do livro. O pai que conta ao filho sua história de sobrevivência à guerra, o pai que conta ao filho sua instalação em um outro país, em uma outra cidade, o pai que conta ao filho a formação de sua família nesta nova cidade. E então o filho torna-se personagem da história do pai. E o pai torna-se narrador de sua história para o filho, que a escuta, a traduz, a molda em prosa e poesia. O filho torna-se, pois, narrador da história do pai.
 Fábio, o filho, conta a história de Simcha, o pai, em um tecido de lembranças e de imaginação, no ano em que o primeiro celebra seus 40 anos e o segundo seus 80. Temos, aqui, 120 anos de histórias entrelaçadas.
                              

Betina Mariante Cardoso- Editora da Casa Editorial Luminara